CIDADES

Rodoviários anunciam greve no transporte coletivo de Manaus para terça-feira (07/07)

Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão a aplicação de multa de 15% em casos de atraso salarial e a alteração da forma de pagamento das gratificações por articulação e dupla função.


Os usuários do transporte público de Manaus devem se preparar para uma paralisação total do sistema na próxima semana. Em assembleia realizada na manhã desta quarta-feira (01/07), os trabalhadores do setor rodoviário aprovaram, de forma unânime, o início de uma greve geral por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira (07/07)  caso não haja acordo entre a categoria, as empresas e o poder público nos próximos dias.

Foto: divulgação

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviário e Urbano de Manaus e no Amazonas (STTRM), a decisão foi tomada diante dos atrasos no pagamento de salários e benefícios. A situação, conforme a categoria, se arrasta há meses e motivou a greve após sucessivas tentativas de negociação.

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O presidente do STTRM, Givancir Oliveira, afirmou que a paralisação não reivindica novos direitos, mas exige que as empresas cumpram a obrigação de pagar os vencimentos dentro do prazo legal. De acordo com o dirigente sindical, os problemas vão além dos salários.

Exigências da categoria

Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão a aplicação de multa de 15% em casos de atraso salarial e a alteração da forma de pagamento das gratificações por articulação e dupla função. “Atualmente, esses valores são creditados em cartão, mas cobramos que sejam pagos em dinheiro”, afirma o presidente do STTRM.

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Outro ponto defendido pelo sindicato é a regularização dos repasses relacionados ao subsídio do passe estudantil. Segundo Givancir Oliveira, o impasse financeiro decorre da falta de transferência de recursos por parte do Governo do Amazonas destinados ao custeio do benefício. Conforme o presidente da entidade, as empresas acumulam entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões em valores que deixaram de ser recebidos.

“O passe estudantil é um direito dos alunos, mas o benefício precisa ser financiado pelo poder público. As empresas recebem subsídios da Prefeitura e do Estado, mas isso não tem garantido que os salários sejam pagos dentro do prazo. Sem esses repasses, as empresas enfrentam dificuldades financeiras e dão calote nos trabalhadores, que acabam sendo prejudicados por esse colapso, ficando sem receber em dia”, afirmou o presidente do STTRM, Givancir Oliveira.

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O dirigente sindical ainda pediu compreensão da população diante da possibilidade de paralisação e afirmou que o sindicato decidiu anunciar a greve com antecedência para reduzir os impactos aos usuários. “Pedimos desculpas, mas infelizmente a categoria não encontrou outra alternativa além de recorrer à greve para garantir um direito básico, que é receber pelo trabalho realizado”, disse.

Processo corre no Judiciário

A disputa também chegou à Justiça do Trabalho por meio da Ação Civil Pública nº 0000950-65.2025.5.11.0013, em tramitação na 13ª Vara do Trabalho de Manaus. O processo envolve nove empresas do transporte coletivo — entre elas Viação São Pedro, Auto Ônibus Líder, Expresso Coroado, Global GNZ Transportes, que está em recuperação judicial, e Via Verde — além da Prefeitura de Manaus e do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

Em despacho assinado no dia 29 de junho, o juiz do Trabalho substituto Diego Enrique Linares Troncoso registrou que o sindicato comunicou o não pagamento do adiantamento salarial de 40% referente ao mês de junho e pediu o bloqueio de recursos das empresas, além da aplicação de multa diária.

O magistrado também mencionou que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou a existência de um acordo extrajudicial e o compromisso da Prefeitura de realizar um repasse financeiro.

“O sindicato ingressou com ação na Justiça que, há quase dois anos, está na 13ª Vara do Trabalho. Infelizmente, o processo continua sem uma decisão que garanta o pagamento da categoria em dia”, disse o presidente do sindicato dos rodoviários.

Até a publicação desta matéria, o IMMU e o Sinetram ainda não haviam se manifestado sobre as reivindicações apresentadas pelos rodoviários. O espaço permanece aberto para posicionamento.