A memória, a experiência de vida e a preocupação com o futuro ambiental de Manaus ganharam voz e imagem no último dia 27 de abril, durante a mostra de resultados do projeto Cine Igarapé, realizada na Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI). O evento exibiu os filmes produzidos pelos alunos da instituição ao longo da oficina de produção audiovisual com celulares, que teve como foco a temática ambiental e a realidade do Igarapé do Franco, curso d’água que passa ao lado da instituição.

A mostra reuniu produções marcadas por lembranças, reflexões e alertas sobre a relação da cidade com seus igarapés, evidenciando o protagonismo de alunos com mais de 60 anos no processo de criação audiovisual. Mais do que aprender técnicas de roteiro, produção, filmagem e edição, os participantes transformaram suas próprias vivências em narrativas que dialogam com a memória urbana e com os desafios ambientais enfrentados por Manaus.
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Idealizador e gestor do projeto, Anderson Mendes destacou a importância de trabalhar com um público que acompanhou de perto as transformações dos igarapés ao longo das décadas. “Ter alunos com mais de 60 anos participando dessa oficina é algo muito significativo, porque são pessoas que viveram uma outra relação com os igarapés de Manaus, viram de perto essas mudanças e carregam memórias que ajudam a entender o presente da cidade. São vozes que têm muito a contribuir para o futuro, porque trazem experiência, sensibilidade e consciência sobre o que já foi perdido e sobre o que ainda precisa ser preservado”, afirmou.
Entre as participantes da oficina, Lilian Machado, aluna do projeto, ressaltou a importância da experiência tanto no campo artístico quanto no pessoal. “Foi uma participação muito rica para mim. Aprendi sobre o processo de fazer um filme, desde pensar a ideia até gravar e editar, mas também aprendi a observar melhor o lugar onde estamos e a importância de falar sobre os igarapés. A oficina me trouxe conhecimento, convivência, troca e a certeza de que nunca é tarde para aprender e criar”, destacou.

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Os filmes apresentados durante a mostra abordam o meio ambiente a partir de diferentes perspectivas, unindo lembranças afetivas, preocupação ecológica e reflexão social. As produções já estão disponíveis online:
Filmes produzidos pelos alunos da FUnATI:
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Lembranças de infância https://www.youtube.com/watch?v=I0nFk0oidBs
O Grito do Franco https://www.youtube.com/watch?v=IbKOSOTURWg
Planeta água https://www.youtube.com/watch?v=1IXXJiNf4TQ
Relatos do quarenta https://www.youtube.com/watch?v=wy9aH301kBo
O Cine Igarapé é formado por quatro oficinas de cinema realizadas em diferentes territórios. A primeira etapa aconteceu na Vila de Paricatuba, em Iranduba. Em Manaus, as demais oficinas abordaram o Igarapé do Passarinho, no bairro Monte das Oliveiras, o Igarapé do Franco, na FUnATI, e o Igarapé do 40, no bairro Cachoeirinha. Em maio, o projeto segue com as duas últimas mostras de resultados, apresentando ao público os filmes produzidos nas oficinas realizadas nos bairros Monte das Oliveiras e Cachoeirinha.
Ao unir formação audiovisual, memória e educação ambiental, o projeto reafirma o cinema como ferramenta de expressão, escuta e mobilização social. A mostra realizada na FUnATI deixou como marca a força de histórias contadas por quem viveu diferentes fases da cidade e que, agora, ajuda a construir novos olhares sobre a preservação dos igarapés de Manaus.
Cine Igarapé é um projeto realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, CONEC – Conselho Estadual de Cultura do Amazonas, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Governo do Amazonas, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal. E conta com o Apoio Institucional da FUnATI – Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, Fundação Rede Amazônica, Ykamiabas Produções, MK Produções, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – DANDARA, Branca3 Filmes, Feitoza Mídias e Pauly Produções.