ECONOMIA

Greve de auditores gera apreensão na indústria e comércio em Manaus

Os auditores reivindicam, há mais de quatro meses, o reajuste do vencimento básico


Representantes da indústria e do comércio em Manaus expressaram preocupação com os impactos da greve dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, que completou cinco meses neste sábado (26/04). A paralisação tem atrasado a liberação de mercadorias importadas, que se acumulam nos portos e no aeroporto da capital amazonense à espera de despacho aduaneiro.

Foto: Divulgação

Os auditores reivindicam, há mais de quatro meses, o reajuste do vencimento básico. A mobilização tem gerado diversos efeitos, como a lentidão na entrada e saída de mercadorias do país, atrasos na liberação de passageiros em viagens internacionais e problemas no programa de declaração do Imposto de Renda.

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O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antônio Silva, afirmou que a greve tem causado prejuízos significativos às empresas instaladas na ZFM (Zona Franca de Manaus) e há risco de demissões. “Já são quase 150 dias de paralisação, o que tem resultado na interrupção de algumas linhas de produção e há risco de demissões caso se prolongue”, afirmou.

Segundo Antônio, as cargas de primeira necessidade e os produtos perecíveis têm sido priorizados, enquanto os insumos industriais acabam ficando em segundo plano. Por isso, a liberação das mercadorias tem levado, em média, de 10 a 20 dias úteis, dependendo da situação. “Na prática, isso representa quase um mês de atraso no desembaraço das cargas”, afirmou o presidente.

“Tanto os portos, aeroportos e terminais alfandegados estão sofrendo com esse represamento e lotação, mesmo porque as cargas continuam chegando, mas com um fluxo de liberação reduzido”, completou Antônio Silva.

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A Fieam solicitou ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil uma solução urgente para o impasse, visando à retomada das atividades fiscais no país. Segundo o presidente da entidade, a greve tem causado prejuízos significativos às empresas instaladas na ZFM (Zona Franca de Manaus).

“Essa paralisação tem provocado sérios prejuízos às indústrias locais, impactando a dinâmica econômica e a própria competitividade do setor produtivo. Estamos atuando incansavelmente na esfera administrativa para alcançar uma solução coesa e harmônica que restabeleça a normalidade dos trabalhos”, declarou Silva.

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Ralph Assayag, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, relatou que os portos da cidade estão sobrecarregados com mercadorias importadas aguardando liberação. “Os auditores continuam aplicando o Canal Vermelho em muitos produtos que chegam a Manaus. Isso está gerando falta de mercadorias no comércio”, afirmou.

Assayag também defendeu que o governo federal dialogue com a categoria. “Os portos estão lotados de contêineres que não conseguem sair por conta da paralisação na Receita Federal. Não entendo por que o governo federal ainda não sentou para negociar com os auditores. Eles querem reajuste salarial, algo que já deveria ter sido resolvido, dado o prejuízo acumulado”, completou Assayag.

“É lamentável o que está acontecendo. Em breve, começaremos a ter demissões, pois não conseguimos mais retirar as mercadorias dos portos. Precisamos que o governo federal intervenha com urgência, para evitar que os prejuízos aumentem ainda mais”, concluiu o dirigente.

A Direção Nacional do Sindifisco Nacional afirma estar atuando em várias frentes para pressionar o governo federal, incluindo articulação parlamentar, em busca de uma solução para encerrar a greve e atender às reivindicações da categoria.